
Esse é o novo dispositivo acrescentado ao meu sistema pessoal: um No-break APC Back-UPS 600VA (360 Watts), gerenciável via USB. Nele estão conectados o computador, o monitor LCD, os roteadores ADSL e rede da D-Link, um telefone e uma pequena lâmpada spot de 5W. A idéia é manter todo o sistema operando por pelo menos 10 minutos a partir de uma interrupção inesperada no fornecimento de energia elétrica. Esse tempo deve ser suficiente para salvar alguns arquivos, encerrar o sistema operacional com segurança e, inclusive, concluir a gravação de um DVD, que no meu caso gira em torno de 3 minutos para 4GB. Segundo o fabricante, o dispositivo também protege os equipamentos contra surtos, picos de energia e descargas elétricas espúrias. Um software de gerenciamento acompanha o no-break e permite verificar suas condições de funcionamento, qual a carga (potência) sendo solicitada num dado momento e outras informações.

A tela acima mostra o status atual do no-break, trabalhando com uma boa folga de potência, apesar de cinco (das seis tomadas disponíveis) estarem ocupadas. Em resumo: não é o melhor que se pode comprar porém é mais que o suficiente para a maioria das aplicações domésticas.
A motivação final para a utilização do no-break não foi me dar um presente de natal e sim eliminar (ou pelo menos minimizar) os problemas decorrentes dos freqüentes cortes de energia e a baixa qualidade do serviço de fornecimento prestado pela distribuidora no meu bairro, aqui na capital de São Paulo. Os cortes parecem ocorrer aleatoriamente e são de pequena duração (1 ou 2 segundos, em média), mas suficientes para por tudo a perder, incluindo aí o hardware. Na última quinta-feira (20/12/2007) foram cinco micro-cortes, pela manhã e em menos de duas horas! Na semana passada, um pequeno corte foi suficiente para queimar o fusível da fonte e 256MB de memória.
Não é o corte em si que queima os equipamentos. É a sobre-tensão que eventualmente ocorre quando a energia volta a ser fornecida. E isso não deveria acontecer! Já medi sobre-tensões da ordem de 180V na linha de baixa tensão (110V)! O nominal deveria ser 115V ou um mínimo de 110V e um máximo de 127V. Por sorte, o antigo estabilizador* conseguiu absorver e regular o máximo possível esse absurdo!
Esse é o lixo de serviço prestado há pelo menos sete anos, independente da estação, com ocasionais períodos de calmaria e cobrado a preços altos. Na verdade, considerando-se o excesso e a precariedade da fiação que vemos pelos postes da cidade (incluindo os cabos telefônicos deixados, levianamente, pendurados e ao alcance da mão pela Telefônica) e a instalação incorreta dos mesmos, é extraordinário que não ocorram mais problemas. Se isso acontece numa cidade como São Paulo, imagino como deve ser a situação em outras regiões do país. Some-se a isso a ingerência do governo na geração e distribuição de energia elétrica, que nos proporcionou diversos apagões (e, anote, proporcionará) e temos um quadro completo.
Em tese, é possível cobrar da fornecedora os eventuais prejuízos. Mas será preciso provar, em caráter jurídico. Por sorte, o sofá está aqui perto, onde posso deitar e rolar de rir confortavelmente. Embora não tenha passado por essa certamente desagradável experiência, (alguns corajosos já o fizeram com sucesso) imagino que seja mais fácil conseguir um Gerador de Improbabilidade Infinita que demonstrar um prejuízo e arrancar o devido ressarcimento da distribuidora.
Apesar disso, fiz a minha parte: reclamei várias vezes, mas parece que o setor responsável é controlado por borgs cujo lema é: "Reclamar é Inútil"! As desculpas são as de praxe: manutenção não programada na linha, sobrecarga e todas as outras que constam do livro de mentiras padrão da empresa.
Desisti. Às vezes, "Desistir é Útil". No dia 20 fui à Nodaji, na Santa Ifigência, e por R$ 241,00 comprei o no-break.
Espero que o equipamento compense, ao menos parcialmente, a incompetência alheia e me livre dos borgs.
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* Esse estabilizador foi projetado e fabricado por meu pai. Funciona há mais de 12 anos, admite uma potência de saída de 800W, é compacto e 100% silencioso, ou seja, não se ouvem os típicos "clecks" desse tipo de equipamento, pois a comutação ocorre de modo totalmente eletrônico (TRIACs) e não pelos costumeiros relês que selecionam as derivações ("tapes") apropriadas do transformador. A proteção é feita, se não me engano, por varistores bastante parrudos, que absorvem parte do lixo elétrico enviado pela distribuidora. Em resumo, o bichinho nem se compara em qualidade às porcarias que se vêem por aí.

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