Aproveitando a deixa do Gizmodo, ontem cumpriram-se 64 anos do lançamento da primeira bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroshima. É claro que não há o que comemorar. Mas há muito a lamentar. A data indica mais um dos inúmeros erros que a humanidade parece ter predileção em cometer. Apesar de lamentável - especialmente quando consideramos os físicos brilhantes envolvidos no Projeto Manhatan - o desenvolvimento da bomba atômica parece ser um desdobramento inevitável do chamado progresso tecnológico.

Incontáveis precedentes históricos nos ensinam que, com poucas mas honrosas exceções, toda nova tecnologia é empregada primeiramente na guerra. Da pré-história aos tempos modernos, da pedra lascada aos computadores, parece que essa é a regra. E, pior, parece que quanto maior o avanço das tecnologias, maior é o potencial de causar sofrimento.
Invenções a princípio "boas" também causaram sua parcela de sofrimento. Veja-se o caso, por exemplo, da vacina e a metodologia pouco ética do tipo "os fins justificam os meios" empregada por Louis Pasteur em seres humanos na condução dos experimentos que culminaram em seu desenvolvimento. Melhor ainda, a cada vez mais precisa compreensão dos mecanismos da vida - da microbiologia à genética - também favorece o desenvolvimento de potentes armas biológicas, com quase o mesmo potencial destrutivo de uma explosão nuclear. Essas armas já foram empregradas. Essas armas tornarão a serem empregadas.
A questão da bomba atômica é que ela ainda é o ápice do poder de destruição desenvolvido pela nossa espécie. Seu aperfeiçoamento, lamentavelmente com o uso de computadores, e o irracional armazenamento de milhares de ogivas nos arsenais nucleares de vários países, nos permitem destruir completamente o planeta algumas centenas de vezes. Isso é definitivo. Isso sim não tem precedentes. Isso mostra como foram (e ainda são) ineficazes e falaciosos os acordos internacionais para a limitação de armas estratégicas (no inglês, Strategic Arms Limitation Talks ou SALT).
Albert Einstein, que também teve sua parcela de culpa no desenvolvimento da bomba atômica (mas se arrependeu e tentou remediar a situação, sem muito sucesso, diga-se de passagem), disse uma vez, por conta das armas nucleares: "Não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei como será a quarta: com pedras e paus". Minha convicção pessoal é de que ele estava certo.
Um conforto pequeno é saber que a energia nuclear também é utilizada para fins estritamente pacíficos, como na medicina, mas o preço em vidas do desenvolvimento dessa tecnologia é que parece alto demais. Estamos em débito.
Diante disso, o homem não se diferencia dos animais por sua inteligência ou quaisquer outros atributos. Ele é diferente porque é o único ser deste planeta capaz de ser desumano. Parafraseando um pensamento de Carl Sagan, na eventualidade de existir uma "civilização galática" realmente pacífica e evoluída, são essas as credenciais que teremos que apresentar para dela participar. Infelizmente, essas mesmas credenciais não autorizam sequer o envio de um convite. Lamentável.

Incontáveis precedentes históricos nos ensinam que, com poucas mas honrosas exceções, toda nova tecnologia é empregada primeiramente na guerra. Da pré-história aos tempos modernos, da pedra lascada aos computadores, parece que essa é a regra. E, pior, parece que quanto maior o avanço das tecnologias, maior é o potencial de causar sofrimento.
Invenções a princípio "boas" também causaram sua parcela de sofrimento. Veja-se o caso, por exemplo, da vacina e a metodologia pouco ética do tipo "os fins justificam os meios" empregada por Louis Pasteur em seres humanos na condução dos experimentos que culminaram em seu desenvolvimento. Melhor ainda, a cada vez mais precisa compreensão dos mecanismos da vida - da microbiologia à genética - também favorece o desenvolvimento de potentes armas biológicas, com quase o mesmo potencial destrutivo de uma explosão nuclear. Essas armas já foram empregradas. Essas armas tornarão a serem empregadas.
A questão da bomba atômica é que ela ainda é o ápice do poder de destruição desenvolvido pela nossa espécie. Seu aperfeiçoamento, lamentavelmente com o uso de computadores, e o irracional armazenamento de milhares de ogivas nos arsenais nucleares de vários países, nos permitem destruir completamente o planeta algumas centenas de vezes. Isso é definitivo. Isso sim não tem precedentes. Isso mostra como foram (e ainda são) ineficazes e falaciosos os acordos internacionais para a limitação de armas estratégicas (no inglês, Strategic Arms Limitation Talks ou SALT).
Albert Einstein, que também teve sua parcela de culpa no desenvolvimento da bomba atômica (mas se arrependeu e tentou remediar a situação, sem muito sucesso, diga-se de passagem), disse uma vez, por conta das armas nucleares: "Não sei como será a terceira guerra mundial, mas sei como será a quarta: com pedras e paus". Minha convicção pessoal é de que ele estava certo.
Um conforto pequeno é saber que a energia nuclear também é utilizada para fins estritamente pacíficos, como na medicina, mas o preço em vidas do desenvolvimento dessa tecnologia é que parece alto demais. Estamos em débito.
Diante disso, o homem não se diferencia dos animais por sua inteligência ou quaisquer outros atributos. Ele é diferente porque é o único ser deste planeta capaz de ser desumano. Parafraseando um pensamento de Carl Sagan, na eventualidade de existir uma "civilização galática" realmente pacífica e evoluída, são essas as credenciais que teremos que apresentar para dela participar. Infelizmente, essas mesmas credenciais não autorizam sequer o envio de um convite. Lamentável.
























